Setembro Amarelo: cuidar de quem cuida
Setembro Amarelo: cuidar de quem cuida
Setembro Amarelo geralmente fala da criança, do adolescente, de quem está em sofrimento direto. Poucas vezes a conversa chega até quem está do outro lado, segurando a rotina, as terapias, as reuniões na escola, as noites maldormidas. Quem cuida também adoece, e quase sempre é a última pessoa a perceber.
O peso que ninguém vê
Cuidar de uma criança atípica não é só amor, é logística o tempo todo. É lembrar do horário da terapia ocupacional, ligar pra confirmar a consulta com a neuropediatra, decidir se aquele comportamento na escola é fase ou é algo que precisa de acompanhamento, tudo isso em paralelo com trabalho, casa, outros filhos, a vida que continua acontecendo.
Não tem pausa oficial. O cuidado não bate ponto.
Sinais de que o cansaço passou do ponto
Alguns sinais que aparecem com frequência em quem carrega esse tipo de rotina há muito tempo:
- Irritação que surge rápido, por coisas pequenas
- Sensação constante de estar no limite, mesmo em dias "normais"
- Perda de interesse em coisas que antes davam prazer
- Dificuldade de dormir mesmo estando exausto
- A sensação de que parar, mesmo por um dia, vai fazer tudo desmoronar
Nenhum desses sinais, isolado, significa que algo está errado. Juntos e persistentes, valem uma conversa com alguém.
Pedir ajuda não é abandonar o posto
Existe uma ideia silenciosa que ronda quem cuida: que parar pra cuidar de si é egoísmo, ou é tirar atenção de quem realmente precisa. É o contrário. Um cuidador esgotado cuida pior, não melhor.
Buscar terapia para si, não só levar a criança na terapia dela, é parte do cuidado da família inteira. Dividir tarefas com quem está por perto, mesmo que pareça mais trabalho no início (explicar a rotina pra alguém leva tempo), costuma compensar depois.
Se o sofrimento for mais sério
Se em algum momento o cansaço vira algo mais pesado, pensamento de que seria mais fácil desistir de tudo, é importante não guardar isso sozinho. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende 24h pelo telefone 188, e também por chat, em situações assim.
Um espaço para a família inteira
O acompanhamento de uma criança não precisa ser só sobre a criança. A orientação parental é parte do trabalho, um espaço pra pensar também em quem está cuidando, não só em quem está sendo cuidado. Se você está em Indaial ou região e sente que esse peso está pesado demais pra carregar sozinho, entre em contato.
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Escrito por Simone Packer · Psicóloga Clínica · CRP 12/05387 · Indaial, SC